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Frigoríficos & indústria da carne

O cliente que pulou dois pedidos: como o frigorífico percebe antes que ele vire cliente perdido

Em carne, o cliente que compra toda semana e passa duas semanas sem pedir já está dando um sinal. O problema é que esse sinal costuma morar na cabeça do vendedor, não num relatório. Se ele notar, liga e resolve. Se estiver ocupado com outro cliente, ou se for um cliente que atende menos, a queda passa batida até virar cancelamento de verdade.

O frigorífico só percebe a perda quando ela já virou estatística: menos uma nota no mês, menos um nome na rota de entrega. Nesse momento, descobrir o motivo é mais difícil, porque o cliente já resolveu o problema comprando de outro fornecedor.

Por que a queda passa batida?

A recompra de clientes frigorífico tem um padrão conhecido: açougue e supermercado compram em ciclo curto, de semana em semana ou de quinze em quinze dias; food service e indústria que usa carne como insumo seguem outro ritmo, mas também previsível. O problema não é a falta de padrão. É que ninguém compara o padrão esperado com o que está realmente acontecendo.

Os sintomas se repetem:

  • O vendedor sabe de cabeça quem compra toda semana, mas não tem como provar quem já pulou dois ciclos.
  • A positivação do mês mostra quantos clientes compraram, não quem comprou sempre e parou agora.
  • Quando o vendedor sai de férias ou troca de empresa, a carteira perde a pessoa que carregava esse mapa na cabeça.
  • O gestor só liga os pontos quando o faturamento do mês já caiu, e aí o motivo virou suposição.

O que costuma explicar o cliente que parou?

Raramente é um motivo só, e quase nunca o frigorífico sabe qual foi, porque ninguém registra. Os mais comuns:

  • Preço. Um concorrente fechou mais barato naquele corte ou naquele volume.
  • Prazo. O limite de crédito apertou, ou a cobrança incomodou numa negociação mal resolvida.
  • Mix. O cliente não encontrou o corte que precisava na hora que precisava.
  • Atendimento. O pedido chegou errado, atrasou, ou simplesmente ninguém ligou de volta.

Sem registrar o motivo da não venda, o frigorífico repete o mesmo ponto fraco com o próximo cliente que parar.

Onde a carteira precisa morar?

A resposta mais comum é “o vendedor sabe”. E sabe, enquanto a carteira é pequena e ele está na empresa. O risco aparece em dois momentos: quando a carteira cresce e passa a exigir mais de um vendedor, e quando um vendedor sai e leva junto o mapa de quem compra o quê, com que frequência.

Carteira que mora na cabeça de uma pessoa é risco de operação, não só de vendas: numa distribuidora, numa empresa de serviço técnico ou num frigorífico, o problema é o mesmo quando quem sai leva o conhecimento com ele. Em carne, o custo é maior porque o ciclo de recompra é curto: um vendedor fora por duas semanas já é tempo suficiente para um cliente de ciclo semanal sumir sem que ninguém note.

Como estruturar o alerta de recompra?

A ordem que funciona, antes de qualquer sistema novo:

  1. Registrar o ciclo esperado de cada cliente. Com que frequência ele compra normalmente, mesmo que seja uma estimativa inicial baseada no histórico do ERP.
  2. Comparar o ciclo esperado com o último pedido. Cliente que passou do prazo entra numa lista, não some do radar.
  3. Definir quem recebe o alerta e quando. O vendedor responsável precisa ver a lista antes que o atraso vire padrão, não no fechamento do mês.
  4. Registrar o motivo quando o cliente responder. Preço, prazo, mix ou atendimento: o dado de por que ele parou (ou voltou) é o que ensina a empresa a evitar a próxima perda.
  5. Olhar a lista junto da carteira, não separado dela. O alerta de recompra só funciona se estiver ao lado do histórico do cliente: o que ele comprava, a que preço, com que margem.

Por onde começar

O primeiro passo não é comprar sistema: é levantar, nos últimos dois ou três meses, quantos clientes pularam o ciclo normal e quantos desses a empresa percebeu a tempo de ligar. Esse número mostra o tamanho da perda que hoje não aparece em nenhum relatório.

É esse o papel do CRM para frigorífico: colocar a carteira e o alerta de recompra num lugar que a empresa controla, em cima do ERP que já existe, sem depender da memória de quem atende. Se o próximo passo for entender onde a margem já está vazando nos clientes que continuam comprando, vale ler também margem por cliente frigorífico.

Perguntas frequentes

O primeiro passo é definir o ciclo normal de cada cliente: semanal, quinzenal ou outro. Com esse ciclo registrado, basta comparar a data do último pedido com a data esperada. Cliente que passou do ciclo sem pedido novo entra numa lista de atenção, antes de virar cliente perdido.

É o acompanhamento de quem continua comprando dentro do ciclo esperado e quem parou. Em carne, a recompra é frequente, então um ou dois pedidos pulados já são sinal. O objetivo é perceber a queda enquanto ainda dá para ligar e entender o motivo, não só contar quem comprou no mês.

Enquanto a carteira é pequena, o vendedor costuma notar sozinho. O risco aparece quando a carteira cresce, quando mais de um vendedor atende ou quando o vendedor sai da empresa: a memória dele vai junto. Nesse ponto, o alerta de recompra precisa estar num sistema que a empresa controla, não numa pessoa.

Natan Lima, fundador da Venno. Conduz os projetos de diagnóstico, CRM e integração do começo à implantação. Sobre a Venno

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