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Frigoríficos & indústria da carne

Desconto que ninguém autorizou: como dar alçada ao vendedor de frigorífico sem perder margem

O desconto que a diretoria nunca autorizou quase sempre não é fraude: é hábito. O vendedor negocia por telefone ou WhatsApp, o cliente pede um respiro no preço, e o desconto sai na hora, porque esperar uma autorização custa a venda. Depois de alguns meses assim, o desconto fora da tabela deixa de ser exceção e passa a ser o jeito normal de vender.

Por que a alçada de desconto vira hábito?

Nenhum vendedor começa dando desconto sem critério. Ele aprende, pedido após pedido, que o desconto fecha a venda e que ninguém cobra depois. As causas se repetem de frigorífico para frigorífico:

  • A tabela de preço existe, mas a negociação acontece pelo WhatsApp, fora de qualquer registro do valor final combinado.
  • Não há piso escrito. Cada vendedor decide até onde pode ceder, pela própria conta e experiência.
  • O gestor só vê o tamanho do desconto no fechamento do mês, quando já não dá para reagir pedido a pedido.
  • Ceder é mais rápido que correr o risco de perder o cliente para quem oferece o mesmo corte mais barato.

Quanto desconto o vendedor pode dar sem pedir autorização?

A pergunta importante não é quanto, é sobre qual base esse número é calculado. Alçada que funciona parte da margem daquele cliente e daquele corte, não de um percentual igual para toda a carteira. Cliente de recompra semanal e volume alto sustenta um piso mais largo. Cliente ocasional, que só compra o corte mais barato e pede o mesmo desconto, aperta a margem sem dar o volume que justificaria.

Sem essa diferença, a alçada vira um número solto no ar: alto demais para quem já compra bem e curto demais para quem precisa de espaço real de negociação. O cálculo começa pela margem por cliente, tema que margem por cliente frigorífico detalha.

O que muda quando a margem fica visível na negociação?

Hoje o vendedor carrega a tabela na cabeça e a margem fica no escuro. Ele sabe o preço cheio. Raramente sabe, no momento da ligação, quanto a empresa ainda ganha depois do desconto que está prestes a oferecer.

Quando o histórico do cliente, o corte negociado e a margem daquele pedido aparecem na tela antes de fechar, a decisão deixa de depender de memória. O vendedor continua negociando e continua decidindo rápido; a diferença é que o número está na frente dele, atualizado, e não numa planilha que alguém olhou semana passada. É o mesmo cockpit descrito em CRM para frigorífico: o dado que já existe no ERP chega à mesa de negociação.

Como estruturar a alçada sem travar a venda?

A alçada não pode exigir aprovação para cada pedido. Isso empurra o vendedor de volta para a negociação paralela, fora de qualquer registro. O caminho que costuma funcionar:

  1. Definir o piso por cliente ou por faixa de cliente, com base em volume e frequência de compra, em vez de um piso único para toda a carteira.
  2. Dar a alçada ao vendedor dentro desse piso, sem precisar de aprovação pedido a pedido.
  3. Registrar todo desconto acima da tabela, com o motivo, no mesmo lugar onde o pedido nasce.
  4. Escalar para aprovação só o que passa do piso combinado, e nada além disso.
  5. Revisar o piso por cliente periodicamente, porque frequência de compra e corte negociado mudam ao longo do ano.

O objetivo não é reduzir a autonomia do vendedor. É dar essa autonomia dentro de um piso que a diretoria já aceitou, em vez de descobrir o tamanho do desconto só no fechamento do mês.

Por onde começar

Antes de desenhar qualquer alçada, vale levantar o desconto real dado numa amostra de pedidos recentes e comparar com a margem de cada corte vendido. Esse número mostra se o problema é desconto solto, mix pobre de corte ou os dois juntos, e qual piso é realista para cada faixa de cliente.

É esse o papel do CRM para frigorífico como cockpit do vendedor: o histórico de compra, o corte negociado e a margem do cliente aparecem antes de fechar o preço, sobre o ERP que o frigorífico já usa. Quem quer mapear onde a margem foge antes de desenhar a alçada pode começar pelo Diagnóstico Operacional, que levanta processo e sistema antes de qualquer mudança.

Perguntas frequentes

Definindo um piso de preço por cliente ou por faixa de cliente, dentro do qual o vendedor negocia sem pedir aprovação a cada pedido. Todo desconto, dentro ou fora do piso, precisa ficar registrado no mesmo lugar onde o pedido nasce, com o motivo. Só o que passa do piso sobe para aprovação.

Depende do cliente, não de uma régua única para toda a carteira. Cliente de recompra semanal e volume alto sustenta um piso mais largo que cliente ocasional que só compra o corte mais barato. A alçada precisa ser calculada sobre a margem daquele cliente e daquele corte.

Alçada bem calculada não tira liberdade, define até onde o vendedor decide sozinho. O vendedor continua fechando o pedido na hora. A diferença é que o piso já foi combinado antes, em vez de ser descoberto no fechamento do mês.

Natan Lima, fundador da Venno. Conduz os projetos de diagnóstico, CRM e integração do começo à implantação. Sobre a Venno

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